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Venda de honorários sucumbenciais: como o advogado pode antecipar o que tem a receber

Venda de honorários sucumbenciais: como o advogado pode antecipar o que tem a receber

Você ganhou a ação, o juiz fixou os honorários de sucumbência e agora o pagamento depende da fila do tribunal. Enquanto isso, o escritório tem contas para pagar, e um valor que já é seu, por direito, fica parado por meses ou anos. É por isso que cada vez mais advogados perguntam se é possível vender honorários sucumbenciais antes de recebê-los.

Em resumo: sim, é possível, desde que o direito esteja bem documentado, que a ação tenha chegado à fase certa e que o contrato de cessão proteja o advogado. Os honorários são um crédito do próprio advogado e podem ser antecipados por quem compra créditos judiciais, com um desconto (o deságio) que varia conforme o caso.

Neste guia, você vai entender a diferença entre honorários contratuais e sucumbenciais, quando a venda é possível, o passo a passo e os cuidados antes de assinar.


Honorários sucumbenciais e contratuais: qual é a diferença?

Os dois tipos remuneram o trabalho do advogado, mas nascem de lugares diferentes. Entender a origem de cada um é o primeiro passo, porque ela define de quem é o crédito e como ele pode ser negociado.

Honorários contratuaisHonorários sucumbenciais
OrigemContrato entre advogado e clienteDecisão do juiz, na sentença ou no acórdão
Quem pagaO cliente (em regra, descontados do valor que ele recebe)A parte que perdeu a ação
Quem recebeO advogado ou a sociedade de advogados contratadaO advogado (ou a sociedade, conforme o contrato social e a procuração)
ValorLivremente combinado (por exemplo, percentual do êxito)Fixado pelo juiz, dentro das faixas do Código de Processo Civil

Quando a parte vencida é a União, um Estado ou um Município, as faixas do art. 85, § 3º, do Código de Processo Civil costumam ser aplicadas: o percentual diminui conforme o valor da condenação aumenta, de 10% a 20% nas condenações menores até 1% a 3% nas muito grandes. O juiz ainda pode considerar a complexidade da causa e o trabalho realizado.

Se a dúvida do seu cliente é outra, a de como ficam os honorários quando ele vende o precatório, leia Como ficam os honorários advocatícios na venda de precatórios. Aqui o foco é o inverso: o próprio advogado antecipando o que tem a receber.


Os honorários são do advogado, e não do cliente

O Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/1994) diz que os honorários incluídos na condenação pertencem ao advogado. Por isso ele tem direito autônomo de executá-los e de receber. O cliente não é dono desse valor e não precisa concordar com a venda dos honorários do advogado.

O Supremo Tribunal Federal também reconhece, na Súmula Vinculante 47, que os honorários incluídos na condenação têm natureza alimentar. Na prática, isso costuma significar três coisas:

  • o crédito de honorários pode ser tratado em requisição própria, separada do valor principal do cliente;
  • por ser alimentar, ele segue a ordem de pagamento especial dos créditos dessa natureza, o que costuma ser mais rápido que a fila comum;
  • o fato de o cliente ter um precatório não significa que os honorários entrarão no mesmo pagamento.

A forma exata de requisitar depende do tribunal e do valor dos honorários isoladamente. Se for até o limite de RPV, o pagamento é bem mais rápido, como mostra o comparativo RPV ou precatório: qual a diferença.


É possível vender honorários sucumbenciais?

Sim. A Constituição, no art. 100, § 13, permite a cessão de precatórios a terceiros, sem necessidade de concordância do devedor, e a mesma lógica é aplicada aos créditos de honorários que já foram requisitados ou estão em vias de ser. A cessão é comunicada ao tribunal, que passa a pagar ao comprador.

Quem compra assume o risco da espera e do pagamento, e em troca paga ao advogado um valor menor que o nominal. É a mesma lógica explicada em Como funciona a cessão de crédito judicial e em Como funciona a antecipação de crédito judicial.


Requisitos para antecipar honorários de sucumbência

Cada comprador tem os seus critérios, mas, em geral, os pontos abaixo são analisados antes de qualquer proposta:

  • Decisão transitada em julgado: sem recurso pendente, o valor deixa de ser incerto. Honorários de decisão ainda sujeita a recurso são difíceis de negociar.
  • Fase de execução: a ação já deve estar em cumprimento de sentença contra o devedor, com cálculo definido e, idealmente, precatório ou RPV expedido.
  • Honorários fixados ou destacados: o valor precisa constar da decisão ou da requisição, em nome do advogado ou da sociedade que o recebe.
  • Devedor pagador: o ente devedor (União, Estado, Município ou autarquia) influencia a segurança e o prazo. Veja precatórios federais, estaduais e municipais.
  • Documentação em ordem: procuração, decisão, cálculos, requisição e certidões do processo.
  • Sem penhora ou bloqueio: o crédito não pode estar penhorado, cedido a outra pessoa ou com disputa pendente sobre quem tem direito.

Passo a passo para vender os honorários

1. Confirme a situação do processo

Veja se a decisão transitou em julgado, em que fase o processo está e se os honorários já foram destacados ou requisitados. Anote o número do processo e do precatório ou da RPV.

2. Separe a documentação

Reúna procuração, sentença ou acórdão, certidão de trânsito em julgado, planilha de cálculo, requisição de pagamento e, se for o caso, o contrato social da sociedade de advogados. O artigo Quais os documentos necessários para vender um crédito judicial detalha a lista.

3. Peça uma análise e compare propostas

O comprador confere o processo e informa o valor que paga. Compare mais de uma proposta, considerando não só o percentual do deságio, mas também o prazo para receber e quem arca com custos.

4. Revise o contrato de cessão

É aqui que o advogado se protege. Confira o valor, a forma e a data do pagamento, o que acontece se o crédito for pago a menor ou se houver problema no processo, e se há multa ou exigência de exclusividade.

5. Comunique a cessão ao tribunal

Depois de assinado, o contrato é levado ao processo para que o tribunal registre o novo titular do crédito. O pagamento ao advogado costuma ser feito quando essa etapa é cumprida, conforme o combinado.


Quanto o advogado recebe: o que influencia o deságio

Não existe um percentual único. O desconto muda conforme:

  • o tempo estimado até o pagamento, que depende da fila e do ente devedor (fila de precatórios estaduais);
  • a solidez do crédito: trânsito em julgado, ausência de recursos e documentação completa;
  • a natureza alimentar, que costuma reduzir o prazo e, com isso, o desconto;
  • o valor total e a existência de risco de impugnação do cálculo.

Para entender como esse desconto é formado, leia Deságio na venda de créditos judiciais e Fatores que influenciam a desvalorização de precatórios. Para decidir se compensa antecipar, veja também Vale a pena vender precatório?.


Cuidados antes de assinar

  • Confira quem é o titular: se os honorários são seus ou da sociedade de advogados, quem deve assinar a cessão.
  • Não deixe o contrato aberto: exija valores, datas e consequências por escrito.
  • Desconfie de taxa adiantada: nenhum comprador sério pede pagamento para analisar ou liberar o crédito. Veja os sinais de golpe em precatórios.
  • Use o checklist: checklist jurídico com 7 itens essenciais antes de vender.
  • Observe as regras da OAB: a atuação do advogado nessa negociação deve respeitar o Código de Ética e o sigilo do cliente.

E o Imposto de Renda?

Os honorários recebidos pelo advogado são, em regra, receita da atividade profissional, e a forma de tributar muda conforme ele atue como pessoa física ou por sociedade. A antecipação com deságio também pode ter reflexo contábil. Como as regras variam, converse com o seu contador antes de fechar o negócio.


Perguntas frequentes

O cliente precisa autorizar a venda dos honorários sucumbenciais?

Em regra, não. Os honorários pertencem ao advogado, e ele pode ceder o seu crédito. O valor principal do cliente não é afetado e segue separado.

Posso vender só uma parte dos honorários?

Em geral, sim. É possível ceder parte do crédito, mas isso precisa estar claro no contrato e ser informado ao tribunal.

Dá para vender honorários antes de a ação acabar?

É mais difícil. Enquanto há recurso pendente, o valor ainda pode mudar, e poucos compradores aceitam esse risco. O mais comum é negociar depois do trânsito em julgado.

Honorários de RPV também podem ser antecipados?

Podem, mas como a RPV costuma ser paga em poucos meses, o ganho de antecipar tende a ser menor. Compare o prazo esperado com o desconto proposto.


Conclusão

Os honorários sucumbenciais são um crédito do advogado, e podem ser vendidos para transformar uma espera longa em caixa imediato. O que garante um bom negócio é o processo em ordem, um contrato claro e a comparação entre propostas.

Se você é advogado e quer entender quanto vale a antecipação dos seus honorários, a Royal Credit faz uma análise especializada do seu crédito, sem compromisso. Veja também como apresentar a antecipação como um diferencial do seu escritório.

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